Foto: Site oficial do Kawasaki Frontale

O relatório divulgado pela AFC (sigla em inglês para Confederação Asiática de Futebol) após a disputa da Champions League da Ásia 2017 alertava para as capacidades do meia brasileiro Eduardo Neto: controlador do meio-campo; força, com habilidade para ligar ataque e defesa.

Eduardo Neto é um jogador de vital importância na construção do jogo do Kawasaki Frontale. O meia revelado pelo Bahia afunda entre a dupla de zaga, ou ao seu lado, para realizar uma saída de três. Seja com passes laterais com os defensores ou com os meias, ou até verticalizando, podendo encontrar um companheiro entre as linhas do adversário, a bola sempre passa pelos pés de Eduardo Neto durante a construção.

Ao mesmo tempo em que Eduardo Neto se aproxima dos zagueiros, os laterais Elsinho e Kyohei Noborizato avançam como alas. Sendo assim possível visualizar o Kawasaki Frontale em um 3-4-3 ou 3-5-2 ou até suas respectivas variações no início do processo de construção das jogadas.

KAWASAKI FRONTALE FASE OFENSIVA 3-4-3 (2)

KAWASAKI FRONTALE FASE OFENSIVA 3-4-3

Embora não seja o tema central da análise, importante ressaltar que a mobilidade dos jogadores do Kawasaki Frontale permite diferentes posicionamentos. Com a amplitude gerada pelos laterais, se transformando em alas, e a constante movimentação dos jogadores que ficam por dentro, o Kawasaki Frontale consegue ter o controle da bola e a move de um lado para o outro progredindo no campo ofensivo encontrando os espaços.

Além de auxiliar na construção, Eduardo Neto tem extrema importância na manutenção da posse de bola. O meia de 29 anos sempre se apresenta como opção de passe para seus companheiros, nem que seja para retorno da jogada. Peguemos o jogo contra o Shanghai SIPG como exemplo. Eduardo Neto foi disparado quem mais trocou passes na partida (136 passes com 86,4% de aproveitamento no quesito), além de 144 toques na bola em todo o jogo (o meia também foi quem mais tocou na bola).

O que não significa que Eduardo Neto não participa do processo de criação de situações de finalização. O camisa 21 não fica preso aos zagueiros do Kawasaki Frontale e se aproxima do meia Ryota Oshima após auxiliar na saída da bola, sempre se apresentando como uma opção para o passe.

KAWASAKI FRONTALE x SHANGHAI SIPG EDUARDO NETO NO MEIO.jpg

Também é importante frisar que Eduardo Neto é o jogador certo no time certo. Sua capacidade de mesclar passes verticais e horizontais se potencializa ao estar em um clube que atua com jogo apoiado.

O frame a seguir durante a derrota por 2×1 para o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, ilustra bem a ideia anterior. No duelo válido pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League da Ásia 2018, Eduardo Neto perdeu para Ryota Oshima na “batalha” de quem mais passa no Kawasaki Frontale (134 x 107).

KAWASAKI FRONTALE x ULSAN HYUNDAI EDUARDO NETO OPÇÕES

Na última Champions League da Ásia, Eduardo Neto foi o segundo maior passador da competição com 777 passes em dez jogos (detalhe: 30,4% dos passes foram para frente, 60,3% para as laterais e 9,3% para trás), aproveitamento de 88% no quesito e dez chances criadas no torneio (terceiro que mais criou no Kawasaki Frontale atrás de Kengo Nakamura e Yu Kobayashi).

Dono de um dos estilos mais agradáveis e, possivelmente, um dos melhores do continente asiático, o Kawasaki Frontale não iniciou a temporada 2018 com o pé direito e acumula três derrotas em três jogos.

Mas no futebol, tudo pode mudar e o Kawasaki Frontale tem elenco para retomar o caminho das vitórias. E caso consiga, com certeza passará pelos pés de Eduardo Neto.


Dados: Opta Soccer

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