Foto: Reprodução

Tricampeão chinês e campeão asiático num total de sete títulos conquistados em 11 disputados. A passagem de Luiz Felipe Scolari pelo Guangzhou Evergrande fala por si só.

Além de ampliar a galeria de troféus da equipe do Cantão, Felipão potencializou ao máximo as principais características de seus comandados e tirou o que de melhor tinham os principais jogadores do país. Trazemos aqui um breve resumo do que foi marcante na passagem de Felipão pelos atuais heptacampeões chineses.

Alto nível e base da Seleção Chinesa

Ao assumir o Guangzhou Evergrande, Felipão tinha uma equipe líder da Super Liga da China e classificada às quartas de final da Champions League da Ásia. Mas a sensação é que poderia se fazer algo a mais.

Felipão potencializou e elevou os seus jogadores (chineses e estrangeiros) ao máximo. Paulinho retomou sua grande forma (e a manteve até sair para o Barcelona), Ricardo Goulart foi um goleador imparável e em 2016 Alan voltou aos bons dias após quase um ano parado por lesão.

Entre os chineses, inúmeros destaques (Gao Lin, Zeng Cheng e Zheng Zhi possivelmente no Top 3). A ponto de o clube se firmar como “base da Seleção Chinesa”, especialmente após Marcello Lippi assumir como técnico da Seleção nacional. Mas o declínio técnico evidenciado em 2017 (e que perdura até hoje) tirou o Evergrande do topo da lista de times que cedem jogadores chineses à Seleção.

Jogo forte pelos lados e forte presença de área

Felipão pôde aproveitar (e muito) os bons cruzamentos de Zhang Linpeng e Wang Shangyuan pela direita e de Li Xuepeng, Zou Zheng e Rong Hao pela esquerda. Os avanços da dupla de laterais escolhidas para os jogos sempre teria destino certo. Ou melhor, destinos.

Elkeson (1,80m e presente só em 2015), Ricardo Goulart (1,83m) e Gao Lin (1,85m) têm presença de área e sempre estiveram prontos para aproveitar os cruzamentos vindos dos lados do campo. Isso sem contar com a impressionante capacidade de Paulinho encontrar cruzamentos e rebotes dentro da área adversária.

A junção foi instantânea e perfeita. A quantidade de cruzamentos por jogo feita pelo Guangzhou Evergrande naturalmente era alta. E os adversários já sabiam que qualquer movimentação errada na área poderia terminar em tragédia.

Fatal ao atacar em velocidade

Os cruzamentos na área eram a principal alternativa do Guangzhou Evergrande com o seu adversário organizado defensivamente. Mas o time de Felipão tinha contra-ataques (e ataques rápidos) ferozes que deixavam os oponentes sem ter o que fazer para impedir os gols.

Una a velocidade dos extremos Alan, Yu Hanchao e Zheng Long a um exímio cabeceador e certeiro nos passes de primeira em Ricardo Goulart, além do pivô e a mobilidade de Gao Lin e ainda a possibilidade de ter Paulinho como elemento surpresa pisando na área.

Defesa começou sólida e desandou na última temporada

O início de Felipão no Guangzhou Evergrande foi como um trator passando por cima dos adversários. Conseguiu 23 jogos de invencibilidade para conquistar Super Liga e Champions em 2015 e foi a segunda defesa menos vazada de toda a China em 2016 (Nota: o Evergrande sofreu 32 gols em 45 jogos; a melhor defesa sofreu 30 gols em 34 partidas).

A solidez defensiva foi por água abaixo na temporada seguinte quando o Guangzhou Evergrande sofreu 66 gols em 47 partidas disputadas. Reflexo das lesões sofridas pelo sul-coreano Kim Young-gwon e o já citado declínio técnico que tirou do Evergrande o título de base da Seleção Chinesa.

No total, o Guangzhou Evergrande de Felipão marcou 248 vezes e sofreu 130 gols em 118 jogos. Aproveitamento de 67% com incríveis 70 vitórias e 28 empates. Quase sempre disposto em 4-2-3-1, Felipão deixou a sua marca no futebol chinês. E deve mostrá-las novamente em seu retorno ao Palmeiras.

Publicado no MW Futebol em julho.

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